A procura de um planeamento urbano sustentável requer novas e específicas abordagens e estratégias, tendo em vista a complexidade dos problemas das cidades na actualidade, O percurso e presença de rios nas cidades coloca questões e dimensões adicionais na gestão do ambiente urbano, às quais se torna necessário dar resposta.
Para além do importante contexto histórico, geográfico e morfológico das inter-relações rio – cidade,  outros aspectos devem igualmente ser considerados, tais como a melhoria da qualidade da água, a vulnerabilidade a cheias e inundações, as acessibilidades/travessias, o valor paisagístico e estético, a contribuição para a atractividade e identidade urbanas, entre muitas outras.
 A convergência entre duas preocupações na actualidade – a requalificação urbana e a reabilitação de sistemas fluviais, - suscita a oportunidade de estabelecer pontes entre objectivos técnicos e científicos de planeamento sustentável e as aspirações das comunidades para a melhoria da qualidade de vida urbana.
A urgência do desenvolvimento de estratégias de sustentabilidade urbana foi enfatizada pela comunidade internacional, e.g. Carta de Aalborg e Agenda 21 Local e, mais recentemente, pela Estratégia Temática de Ambiente Urbano e pelas recomendações da IV Conferência Europeia de Cidades e Vilas Sustentáveis (2004). “A Nova Carta de Atenas”, enquanto visão do Conselho Europeu de Urbanistas sobre as cidades do séc. XXI (2003) aponta a necessidade de uma coerência social, económica e ambiental e, em particular, a coerência na utilização urbana do espaço que reforce, nomeadamente, o espírito próprio de cada lugar, a excelência estética, a protecção do património natural e cultural e das redes de espaços abertos urbanos. Por outro lado, a água como recurso natural fundamental, tem recebido uma renovada atenção da União Europeia e do governo nacional com o desenvolvimento de instrumentos normativos (Directiva Quadro da Água, Plano Nacional da Água, Planos de Bacia Hidrográfica e Lei da Água – Lei nº58/2005). A confluência destas duas preocupações – reabilitação ribeirinha e reabilitação urbana – cria a oportunidade de integrar estas diferentes perspectivas e aproximar a ciência da comunidade, na busca de soluções sustentáveis.
A crescente tendência para a reabilitação ambiental de rios e cursos de água, derivada das orientações da Directiva Quadro da Água, tem motivado o desenvolvimento de programas de reabilitação fluvial em diversos países. O caso específico dos rios urbanos apresenta maior complexidade, tanto nos aspectos biofísicos e ecológicos, como também nas dimensões sociais e económicas, relacionadas com o envolvimento do público, dos técnicos e dos decisores que desenvolvem e vivenciam esses projectos. A percepção do público, as atitudes e valores face às questões ambientais e às paisagens ribeirinhas, os objectivos dos processos de requalificação, constituem importantes factores que influenciam o seu sucesso.
O reconhecimento destas importantes relações motivou o desenvolvimento de um projecto de investigação multidisciplinar – RiProCity, Rios e Cidades, oportunidades para a sustentabilidade urbana -. Este projecto é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e desenvolveu-se entre 2005 e 2009. Este site constitui uma oportunidade para apresentar e discutir as suas linhas orientadoras e resultados, juntamente com contribuições de outros conhecidos especialistas nestas matérias e com a análise da experiência de programas de requalificação urbana e ambiental, como o Programa Polis.
As dimensões da sustentabilidade são encaradas como “pontes” de ligação entre elementos culturais e naturais, como é o caso das cidades e dos rios. As tendências do desenvolvimento em cidades fluviais, o valor acrescentado que os rios trazem às cidades, a avaliação de indicadores específicos que enfatizam estas “pontes”, são alguns dos conceitos explorados no projecto RiProCity.
Pretende-se promover o debate e desenvolver recomendações e guidelines no sentido de um planeamento urbano mais sustentável para as cidades fluviais, bem como a participação pública nos processos de requalificação de frentes ribeirinhas urbanas, tema que se reveste de inegável actualidade.

ENQUADRAMENTO
CESUR
Centro de Sistemas Urbanos e Regionais
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